Foi desde a primeira vez, que percebi que tinha dentro de mim, algo que parecia ser um coração.
Acho que era mesmo isso, sim. Que estranho!
Descompassava sem ordem alguma, como se tivesse vontade própria.
E quem foi que disse que o coração não tem seu próprio modo de pensar.
Pensar? Que besteira! Coração faz tudo, menos, pensar.
Coração se descompassa quando sente que o corpo abraça.
Coração bate solene, perene e silente, diante da indiferença que sente, mas pensar, não mesmo.
Um coração não pensa.
Dispensa o jeito analítico de racionalizar a dor e o amor.
Coração é um sujeito abobado, que caminha acelerado, quando deseja chegar.
Coração é emblemático, sorumbático, fleumático, desejoso e atávico,
silente e só,, tantas vezes só.
Coração tem alma, será que tem?
Coração da gente, gente que ama não tem.
Ah, contradito maldito
que abraça o infinito
com os braços da paixão.
Coração dispara, sai e corre, quase morre, morrendo quase,
é fase, pensa o meta verso reverso da vida,
aquilo que chamam de razão,
sabe, razão?
A alma sem coração.
O sim em lugar do não e o não querendo ser sim.
No começo e no fim.
Assim é a vida,
apenas assim.
Pacard, Pétalas, 2021, Ille Vert Editora

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